sábado, 29 de novembro de 2014

#32 Caminho


Um dia me vi sozinho
Sem saber onde me perdi
Vi meus sonhos morrendo comigo
Antes que eu pudesse ir
Assim continuo vivendo
Vazio de esperança
Cheio de pensamentos 
Não fui eu quem pediu
Não fui eu quem quis
Mas está aqui
Carregar tal fardo
Pesa demais
Não sei se suporto
Ter o mundo nos ombros
O futuro a minha frente
Pra que seguir?
Se todas as faces do presente
Me são desconhecidas
Estão todas assustadas
Elas veem o mesmo fim
Nessa estrada lotada
Não temos nada
Apenas solidão
Medo em nossas mãos
Nós somos assim.

(Imagem: Osiris por Ken Wong)
www.kenart.net/

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

#31 Idiossincrasia


Fantasia se cria
Na mente que não dissocia 
Falso e verdade
Mentira da realidade
É indiscutível
Sonhar vicia 
A um sopro está a linha que separa
Esquizofrenia e outras psicopatologias
Da  medíocre rotina

Já viciado 
Em ver o mundo de olhos fechados
Mente criativa
Sabe que dentro da cabeça
De quem parece descontente com a vida
Ela se torna mais viva
Mais colorida
Se pinta
Infinitas cores
Tingem os tons de cinza
E de melancolia
Do presente decadente

O mundo real é como o Sol
Quem o encara por muito tempo
Acaba ficando cego
Prefiro assim
Mesmo que em breves momentos lúcidos
A verdade nua e crua
Venha até mim
Gritando
"Você mente para si"
Eu prefiro assim

(Imagem: Hazem Aljarallah)
instagram.com/bu_khaled

sábado, 22 de novembro de 2014

#30 Ganha-pão


Viu quem está no mais novo reality show?
Enquanto comenta sobre a bunda da gostosa
Desejando levá-la para casa
No semáforo de janela fechada
Negando uma simples moeda
Pequeno malabarista
De tenra idade é nosso artista

Viu a nova tattoo que a gostosa  do reality fez?
Esperando convite pra posar nua outra vez
Polêmica em toda revista
No semáforo a janela ainda fechada
Mas já não há malabares
Já não há artista.

(Imagem: Michal Janowski)
www.facebook.com/JANOWSKIpainitng/timeline

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

#29 Só um trago


Porque na vida o tempo passa
Como se fosse fumaça
Um momento dança ao vento
Para que logo se desfaça

Sem aviso

No tempo a vida passa
Como se fosse fumaça
Dança e se dispersa
 Junto dela sempre está
A morte é o próprio ar

(Imagem: Álfheiður Erla)
www.alfheidurerla.com

sábado, 1 de novembro de 2014

#28 Nem tão frágil


Havia um pássaro que sempre cantava
Um menino solitário sempre esperava 
O mesmo som no mesmo horário
Alegrava seu coração
Mas um dia nosso pobre menino
Ficou sem sua canção
Seu amigo teve que migrar
Nesse dia, ele aprendeu a assobiar.

(Imagem: Ivan Kashinsky)
ivankphoto.com
instagram.com/ivankphoto