Quando eu escrevo algo não tenho intenção de esclarecer ou
informar, muito menos ensinar.
Tenho apenas a interesse de provocar. Provocações (saudade
Abujamra), é só isso que ofereço.
Não tenho a vontade de imputar na sua mente um pensamento
meu, esmiuçado, mastigado e digerido, pelo contrário, quero instigar o seu próprio
pensamento, pois não há nada mais bonito do que isto: as novas ideias vindas da
interpretação, ou das interpretações (isso é com você)
Qualquer pessoa que crie arte, no meu ponto de vista, possui
dois sujeitos e esses devem se separar na criação (a criatura se torna
independente do criador). São eles o sujeito autor da obra e o sujeito
espectador da obra; claro que os dois coexistem, porém, a obra é completa pela
interpretação do sujeito espectador. O autor por ser autor e espectador tem sua
própria interpretação da obra e a mensagem que quer expressar com tudo aquilo é
de seu conhecimento, só que essa contemplação final do conjunto da obra é fruto
da sua interpretação, ou seja, do seu eu espectador; essa interpretação não deve
ser explicada aos outros contempladores da obra, deve sim ali estar
subentendida, mas não dissecada e padronizada como sendo a correta. O
espectador deve ter seu próprio momento com a obra, absorve-la em suas
vivencias para pensar sobre seu significado com o próprio cérebro, com as próprias
palavras, deve sentir a obra em suas próprias vísceras. Gerando assim o
sentimento de gostar ou não da obra.
Essa elasticidade de um quadro, de um livro, de um poema é o
que sempre me fascinou, como a sua realidade e a minha são totalmente
diferentes, assim também o é com as interpretações dessas obras de arte, nossos
cérebros se moldaram diferentemente e isso torna cada um de nós único; e é essa
idiossincrasia que me interessa provocar, me interessa fazer sua mente
funcionar, por isso eu tento evitar usar pontuação em meus poemas, para que as
frases fiquem mais soltas, livres e possam se reorganizar distintamente na
segunda, terceira leitura e que essa nova forma possa trazer um novo
sentimento, um novo entendimento.
Eu sei como cada uma dessas frases soa na minha cabeça e o porque
delas estarem ali, mas nunca terei ideia de como elas se arranjam na sua mente
e se atingi meu objetivo de te provocar. Sinceramente acho toda essa
indefinição de uma beleza sem igual, é um retrato da vida, onde não se sabe
nada com certeza.
Mas claro que eu escrevo para desabafar também.
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