domingo, 20 de dezembro de 2015

#52 Tanto pouco tempo


É estranho essa perda
Eu já não me lembro muito bem do seu sorriso
Da sua risada ou da sua voz
A lembrança viva de você à mesa
Hoje me é embaçada
Esse quadro realista
Que com o passar dos anos
Foi tornando-se uma obra impressionista
Ele ainda me toca
Traz-me as lágrimas, a alegria
Esse terremoto que me provoca
Estremece o que o tempo sedimentou
Toda essa saudade enterrada
Disfarçada por toneladas de vida em cima
Vem à tona
Me consome
Me devora
Me tortura
O mais belo quadro
Me odeio
Pois sempre desejo
Nunca mais vê-lo.

(Imagem: Camille Monet em seu leito de morte por Claude Monet)

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

#51 Parabéns


Eu deveria esperar você morrer
Não é assim que tem que ser?
Escrever sobre o quanto me arrependo
O quanto gostaria que fosse diferente
Que um abraço seu sempre faltou
Que por mais que eu esteja aqui e você ai
Me pego pensando "e se"
E se tudo isso que eu tenho travado
Também for o que te engasga
Se você fica sem jeito quando me esbarra 
Se falta som, mas sobra palavra
O que você acha?
Fiz bem ou to fazendo burrada?
Eu tenho mesmo que esperar você morrer?
Só então posso me arrepender?
É assim que tem que ser?
A gente caminha por ai
Uma distância infinita separa o que era para estar junto
E tudo o que sinto
Sucumbe à covardia
O meu "eu vou" se torna "eu ia"
Dia após dia
Há vezes que me esqueço de quem somos
Guardando esse fantasma numa gaveta
Só que essa caixa de Pandora me seduz
Contra a minha vontade reabro
Num piscar de olhos não da pra fugir
Encaro tudo de novo
Como devia ser e como é
Sartre e sua má fé
No fim me pergunto
Isso acontece contigo?
Você sente esse peso?
Carrega esse fardo?
Tudo isso quer me destruir
Olho pra trás e me convenço
Algo morreu dentro de mim
Continua a morrer
Me apodrecendo
Me envenenando
Será que deveria esperar você morrer?
E só então dizer o que sinto
Dizer que não consigo entender
Não sei como chegamos aqui
Existe destino e é assim que tem que ser?
Será que alguém me responde quando eu morrer?
Saudade de você.

(Imagem: Pagan por John Jude Palencar)
www.johnjudepalencar.com

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

#50 Já que não sei quem sou, aprenderei a amar


Eu nunca soube que tipo de pessoa sou
Talvez por ser várias em uma única
De todas as que sou não sei se existe a melhor
Todas me parecem fracassadas
Mas dentre elas sei bem qual a pior
Aquela a qual estava vestindo quando te vi
Lembro da primeira vez, atravessou-me
Um turbilhão de alguma coisa
Alguma coisa cujo não conhecia
Ainda desconheço
Não importa qual dia seja
Com qual pessoa esteja
Sempre que lhe vejo
A pior das minhas personalidades corre
Empurra quem quer que me vista.
Só pra poder te olhar de perto
E de novo, como a primeira vez
Um redemoinho invade meu coração


Maldita seja por toda vida essa parte de mim que é apaixonada por ti.

(Imagem: La Délicatesse des Mains por Edward Zulawski)
www.facebook.com/edward.photography
www.flickr.com/photos/edwardzulawski/

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

#49 Constante inconstância


Quente e frio
Feliz e triste
Que seja assim
Melhor que sempre morno
Sempre mais ou menos
Em um limbo de sentimento
Onde não se sente nada de verdade
Me perdoem os medíocres
Mas eu vos desprezo
Ou não perdoem
Que se foda
Não quero ser assim
Ordinário
Quero que  a vida me bata
Quero sentir toda dor que se há para sentir
Quero viver de verdade
E quando feliz estiver
Quero que me transborde
Que seja infinita
Não uma alegriazinha
Quero mergulhar no poço da intensidade
Pois no fundo do poço está o caos
Do caos sairá a minha ordem
Criarei meus próprios Deuses
Que regerão seus mundos
Quando nesses mundos
Habitarem seres medíocres
Quero que a vida os destrua
Me arraste para o poço
Novamente mergulharei
Tendo apenas o caos
Novos Deuses surgirão e desaparecerão
De meus novos mundos guardarei os iguais a mim
Os melhores que eu
Entre minhas idas e vindas
No frio, no solitário
No escuro, no caos
No poço
Estarão apenas em mim os com os quais aprendi
Aprendi a aprender
Aprendi que quanto mais melhor
Se for dor, que seja
Mas que seja  a maior e mais lancinante
Que rasgue as vísceras da carne e da alma
Se for tristeza, que seja
Mas que seja a maior e mais mórbida
Que encharque travesseiros, inche meus olhos
E afogue minha alma
Se for frio, que seja
Mas que seja o mais rigoroso inverno
Que congele os meus membros e deixe-me paralisado
Se for escuridão, que seja
Mas que seja o breu mais intenso e taciturno
Que eu não possa ver a luz no fim do túnel
De tudo eu serei restaurado
Como sempre fui e sempre serei
Pois o Sol há de iluminar-me
Como ilumina a tudo e todos
O Sol dará cores ao meu redor
Eu me alegrarei
Sentirei o calor
Sorrirei quando ver meu amor
Mas mesmo que não o veja, amarei
Amarei a tudo que segue seu rumo
Indo em direção ao fim do mundo
Amarei tudo que é intenso
Tudo que é imenso agora
Pois amanhã é apenas esperança
Abandonei a esperança
Sem esperança, sem medo
Eu sou aqui e agora
Minha atitude me constrói
E minha atitude é amar
Amar tudo, aqui e agora
Onde minha alma transborda
Transborda até ao poço retornar
Esse é o fardo de uma vida
Não se pode escapar.

(Imagem: Tunning man por Ekundayo)
ekundayo.com


sábado, 10 de outubro de 2015

#48 Se encontrar


Esperava com seus pequenos olhos o alvorecer
Sentada no parapeito, queria ver o sol nascer
Lembrou de uma frase dita por um amigo
Sempre é mais escuro antes de amanhecer
Do alto do prédio sentia o vento correr
Entre seus cabelos entrelaçava-se e ia
Só pensava na saudade
"onde está você?"
Os primeiros raios de Sol a aparecer
Entregou-se, sentindo o calor em sua pele fria
Nada era, nada seria
Alguns poucos segundos de vida
Uma lágrima tocou seu discreto sorriso
Nada mais havia.

(Imagem: Lucinda Grange)
www.lucindagrange.com



sábado, 19 de setembro de 2015

#47 Quincas


Entrei num bar na esquina da morte com a vida
Pedi uma dose de desilusão
Queria perdição
Embriaguei-me de lamúrias
Sai às tantas horas sentindo cortar-me a solidão
Trançando as pernas em tristezas
Cantei um samba, todo errado
Destinado ao cachorro andando do meu lado
Estava mais pra lá do que pra cá
Então decidi me ajeitar
Cansado de andar fiz meu lar
Deitei na grama
Lembrei de quem me ama
Quem me espera voltar
Lembrei de quem me amou
E um dia me disse "eu vou,
 Mas você precisa ficar"
Fiquei
Estou

Iluminado pelas estrelas
Assistindo as nuvens passando ante o luar
Eu fiquei para aprender a amar
Fazendo minha lição de casa, amei
Amei tanto que transbordei
Me pus a chorar de tristezas e alegrias
E tudo que se pode sentir estava em mim
Uma pandemia de ser
Eu era tanta coisa, me sentindo um nada
Diante de tudo que existe, minúscula fração
Minha limitada visão sequer concebe tudo o que acontece
Imagina então parar para pensar
 O que aconteceu e o que virá
Meros humanos
Na Terra há uns milhares de anos
São nada
Com o privilegio de observar isso tudo
Tanta beleza
Tanta grandeza

Adormeci e acordei
Sentindo leves pontapés
"O senhor não pode dormir aqui"
Foi o que ouvi
Sentei-me no chão
Quanta surpresa
Meu amigo canino ainda me acompanhava
Tirava também seu cochilo
Olhei ao meu redor
Enquanto devagar me levantava
Dei um suave tapa no cão
Para o acordar
Me olhou com olhos de reprovação
Mas despertou e me acompanhou

Me aprumando
Para então buscar o rumo de casa
Vi um senhor de cabeça baixa
A passos largos, encarando a calçada 
Um único pensamento me veio
É por isso que vivemos este caos
Temos muito para olhar
Mesmo ao destino da labuta
Mas o que escolhemos?
Fazer o mesmo caminho
Dia após dia
Olhando para baixo.
Encarei meu novo amigo
De forma serena
Ele parecia concordar comigo
Ou talvez eu que, sonolento, ainda sonhasse
Foi quando me descobri em outro impasse
Com licença senhora
Onde compro ração por aqui?
(Imagem: O artista - Retrato de Marcellin Desboutin por Édouard Manet)

domingo, 9 de agosto de 2015

#46 Só


Por que tudo me parece tão diferente?
Tudo tem um tom cinza, melancólico
O mesmo tom dos meus olhos enquanto encaro-os 
Diante do espelho faço uma prece
Destinada ao Deus que a quiser atender
Destinada ao mesmo Deus que parece gostar de ver
Sempre a mesma lágrima escorrer
Tudo é tão diferente daqui
Como se junto da noite uma névoa cobrisse a realidade
Eu fantasio, me faço chorar
É bom saber que não estou totalmente vazio 
Ainda choro, ainda tenho planjo
Sinto pena ao ver tanta tristeza
Encarando-me no espelho
Vejo meu olho ficar vermelho
Talvez por isso tudo me pareça tão distinto
Só, aqui vejo o mundo triste
Lá fora é muito rápido
Minha mente se apega ao que parece estático
As pessoas se movem com pressa
Assisto seus vultos passarem
Não as compreendo
Faço parte do show
Mas meu papel não entendo
Eles também choram quando se olham no espelho?

(Imagem: Image in a mirror por Norman Alcantara)
https://www.artdoxa.com/npxa

domingo, 31 de maio de 2015

#45 Na cidade que nunca dorme, nunca ninguém acorda.



Os vi correndo
Diante de mim
Passaram rápido
Todos sorrindo
Entre si gritando
Se não me engano
Haviam algumas coisas voando
Um jogando ao outro
Dentre risadas inocentes
Se misturavam palavrões
Foi tudo tão efêmero
Duvido que se repita
Mas quem é que sabe
Qualquer dia nessa vida
Eu veja novamente
A infância pura
Correndo leve
Com seus trajes sujos
Seu vocabulário chulo
Mas sem maldade
Toda aquela felicidade
Vi correndo
Diante de mim
Passou rápido
Sorri
Percebi
Chorei
Aquelas crianças
No fim desse mesmo dia
Irão dormir em algum buraco
No escuro dessa cidade
Junto aos ratos

(Imagens: Cowboy - http://pixdaus.com/poor-but-happy-people-children/items/view/510519/
Vivek Prakash - http://blogs.reuters.com/vivek-prakash/
Darren Whiteside - http://www.corbisimages.com/Search#pg=darren+whiteside
Damir Sagolj - http://damir.photoshelter.com/
Banksy - http://banksy.co.uk
Enny Nuraheni - http://www.corbisimages.com/Search#pg=enny+nuraheni
Nicolas Asfouri - http://www.gettyimages.com/editorial/nicolas-asfouri-pictures
Beawiharta - http://blogs.reuters.com/beawiharta/
Ata Mohammad Adnan - https://www.facebook.com/ata.m.adnan & http://www.corbisimages.com/Search#pg=ata+mohammad+adnan)

quinta-feira, 7 de maio de 2015

#44 Não sei se é bonita


Ouves a música?
Ou além dos olhos
Tens os ouvidos fechados?
A selva de pedra 
Todo seu metal
Tocam uma sinfonia 
Som e fúria
Morte e vida

(Imagem: Tom Haugomat)
https://www.behance.net/tomhaugomat


domingo, 26 de abril de 2015

#43 Folgo


Sinto a necessidade que o mundo me inunde
Encalço algo que me valha
Mas nada me satisfaz
Nada chega a mim
É assim que percebo meu erro
Não é para dentro que me falta
O que falta é para fora
Então do alto do convexo
Começo a derreter
Dissolvo e escorro
Me esvazio
A pressão em mim diminui
Sou um cômodo oco
Agora sim é tempo
Me torno côncavo
Tudo que abandonado havia
Tudo que tinha
Com o mundo misturado
Tudo em uníssono
Um unívoco líquido
Começa a me preencher
Me perfaço até a pressão me sufocar
Até que não consiga suportar

Me esvazio
Respiro
Completo com o incompleto
O universo não cabe em um recinto
Vivo
Repito.

(Imagem: Herbert Baglione )
https://instagram.com/hbaglione/
https://www.facebook.com/pages/herbert-baglione/145433915522682

sábado, 28 de março de 2015

#42 "Mom"


Mãe
Quero que esteja certa
Sobre céu e inferno
Que quando morrer
Um lugar melhor espere por você

Mãe
Eu nunca quis te ver chorar
Mas acho impossível passar pela vida
Sem derramar algumas lágrimas
É assim que tudo passa

Mãe
Talvez, apesar da idade
Você seja só uma menina
Querendo ser feliz com alguém
Mas está perdida

Mãe
Queria teu orgulho
Pelo filho que criou
Eu também estou perdido
Deve ser para isso que viemos ao mundo

Mãe
Apesar de tudo
Você fez um bom trabalho
Jamais te culparei
Pelo meu fracasso

Mãe
Pelo simples fato de te conhecer
Me sinto honrado
Será que nunca te falei?
Para tudo tem a primeira vez

Eu te amo
Sou por ti apaixonado.

(Imagem: Portrait of Comtesse Adele-Zoe de Toulouse-Lautrec 
por Henri de Toulouse-Lautrec)

domingo, 22 de março de 2015

#41 Kintsugi


Me sufoca
Difícil respirar
A dor adeja minha cabeça
Doendo como se fosse a última vez
A última dor
A dor desce por minhas vértebras
Se espalha até meu coração
Ah! Que saudade imensa que tenho de ti
Sempre te amei e te amarei
Mesmo sem você aqui
A única diferença é que agora
Esse amor me tortura
Ah! Que saudade imensa que tenho de ti
Quando você se foi
Minha vida perdeu um pouco de cor
Continuo vivo
Mas tudo é descolorido
Tudo é um pouco menos do que era
É tudo igual
Vejo tão diferente
Uma única semente de alegria
Caída da árvore de tristeza
Brotada em meu peito
É saber que de todo o tempo 
 Diante de tudo que existe
Tudo que passou e vai passar
Por um breve momento 
Nós nos tivemos
Sendo o que era pra ser
Sendo o que era pra acabar.

(Imagem: Treasured heart por Shelly Penko)
http://www.shellypenko.com/

sábado, 14 de março de 2015

#40 Não existo


Tem pó na ponte do tempo
Há muito não visito meu passado
Há muito não visito meu futuro
Permaneço estagnado
Olhando baixo
Pensando em suicídio
Pensando em me lançar
Ao Infinito.

(Imagem: Reflection on the Thames, Westminste por John Atkinson Grimshaw)

sábado, 7 de março de 2015

#39 Girassol


Ama-la 
Amar ela
Amarela
Ilumina
Com sua luz divina
Todos os dias
Graças ao amor
Não sinto mais dor
Apenas sigo meu Sol

(Imagem: Doze girassóis em uma jarra por Vincent van Gogh)

sábado, 21 de fevereiro de 2015

#38 De tanta filosofia não precisei me matar.


Morrendo, Morrendo
Como todos, como tudo
Um segundo a mais
Um segundo a menos
O relógio caminha para trás?
Fico prostrado 
Faço uma oração
Orientai-me, mas não.
O tempo abstrato passa
Meu corpo se desfaz
Perde o ritmo da vida
Segue o compasso da morte
Como a natureza guia
Tic Toc
Morri Morro 
Me parece soar
Penso em adiantar
Quero que seja meia noite
Estou cansado
Essa rotina me exaure
Do primeiro choro até sempre
É sacrifício ficar vivo
O mundo quer que morra
Depois de se reproduzir
Para propagar a genética
Você é só lixo
Matéria orgânica
A se decompor 
Para que tudo se equilibre
Não serei eu a desafiar
A Ordem Natural
Quem sou eu para pregar
A Nova Ordem Mundial
Além do mais 
Sabendo de minha finitude 
Por meros momentos
Anseio que logo chegue
Que me abrace e me acalme 
Jamais seria louco
Ao ponto de sonhar
Com a tal imortalidade

Olhá só 11:59
Melhor ir me deitar
Já está tarde
Não tenho mais idade.

(Imagem: The Kid)
www.thekid.fr/

sábado, 14 de fevereiro de 2015

#37 Você e eu


Por que continua a me olhar assim?
Você já levou meu coração
Não tem mais nada que possa tirar de mim
Seus olhos ambiciosos  querem o mundo
Mas ele não está aqui
Não tenho mais nada
Além da liberdade que ganhei
Não tenho mais nada
Vivendo em miséria 
Em paz comigo e tudo que me cerca
Me arrasto por esta Terra
Você me encara
Para saber o que estou levando
Querendo tirar de mim
Mas eu não sinto mais medo 
Nos seus olhos negros
Posso mergulhar um dia inteiro
E sair ileso

Assisto a mim mesmo
Andando vazio
Como se nada houvesse acontecido
 Achando tudo lindo.

(Imagem: Louco por Ivan Serpa)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

#36 Quando você...


Só quando perdi a cabeça
Achei a beleza do mundo
Da escuridão que sussurra 
Palavras em meu ouvido
À mão que me escreve o caminho
Sentimentos de vida
Permeando momentos de morte
Caindo como chuva
Em terra árida
 Trazendo esperança
Só quando perdi a cabeça
Achei a beleza do mundo
Tão grande quanto é
Cheio de tudo
No meio desse vazio absurdo
Só quando perdi a cabeça
Achei a beleza de ser nada no mundo

(Imagem: Leticia Bernaus)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

#35 Abstrativamente concreto


Me dê licença
Por gentileza 
Senhor, senhora
Coisa ou momento
Me dê licença
Saia de meu pensamento
Não seja rude
Atenda meu pedido
Claro que sei
Tu és parte da nobreza
Ninguém! Um ser sequer
Pode negar a dádiva
Que é lhe receber
Porém, tal presente
Não é para mim, ainda
Tenho alguns planos 
Os quais tua presença
Está turvando
Preciso pensar
Portanto saia. Já!
A porta está aberta
Entraste sem minha permissão
Então vá embora
Pelo mesmo caminho 
Estou cheio do que fazer
Tu estás a me atrapalhar
Arrume outro lugar
Só esta noite
Sei que irá voltar
Mas preciso descansar
Seu jogo me confunde
Me seduz
Truques de sombra e luz
Me encanto
Me desespero 
Sorrio e choro
Tu brincas comigo
Não acho divertido
Tudo isso me cansa
Por favor, me dê esse tempo
Não quero nada hoje
Não quero lembrar de você

Hoje só quero ser
Flutuar na existência
Sem passado, sem futuro 
Sem melhor, sem pior
Sem demônios a me amaldiçoar 
Sem anjos a me abençoar 
Esquecer que existo
Esquecer que sinto
Esquecer que vivo
Esquecer que morro. 

(Imagem: Snow Storm, Steam-boat off a Harbour's Mouth por William Turner)