quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

#35 Abstrativamente concreto


Me dê licença
Por gentileza 
Senhor, senhora
Coisa ou momento
Me dê licença
Saia de meu pensamento
Não seja rude
Atenda meu pedido
Claro que sei
Tu és parte da nobreza
Ninguém! Um ser sequer
Pode negar a dádiva
Que é lhe receber
Porém, tal presente
Não é para mim, ainda
Tenho alguns planos 
Os quais tua presença
Está turvando
Preciso pensar
Portanto saia. Já!
A porta está aberta
Entraste sem minha permissão
Então vá embora
Pelo mesmo caminho 
Estou cheio do que fazer
Tu estás a me atrapalhar
Arrume outro lugar
Só esta noite
Sei que irá voltar
Mas preciso descansar
Seu jogo me confunde
Me seduz
Truques de sombra e luz
Me encanto
Me desespero 
Sorrio e choro
Tu brincas comigo
Não acho divertido
Tudo isso me cansa
Por favor, me dê esse tempo
Não quero nada hoje
Não quero lembrar de você

Hoje só quero ser
Flutuar na existência
Sem passado, sem futuro 
Sem melhor, sem pior
Sem demônios a me amaldiçoar 
Sem anjos a me abençoar 
Esquecer que existo
Esquecer que sinto
Esquecer que vivo
Esquecer que morro. 

(Imagem: Snow Storm, Steam-boat off a Harbour's Mouth por William Turner)