segunda-feira, 31 de outubro de 2016

#63 Natron


Às margens de mim não me reconheço
Águas correndo em circulo
Turvas como uma mente em entropia
Não me vejo
Jamais seria seduzido como Narciso
Mas Eco tampouco me chamaria atenção
O que vejo não é bonito nem mesmo feio
Olhando há algum tempo 
É como se a corrente  sequer se movesse
Tudo igual, apesar da mudança
Um bloco frio de mármore liquido
A um passo de petrificar-se
É doloroso procurar pela vida em algo morto
Me afogaria se não fosse tão raso
É doloroso procurar pela morte em meio a covardia
Às margens de mim não me encontro.

(Imagem: Julio Reyes)
www.julioreyes.com