Se cria e se aniquila
Partícula e antipartícula
Enquanto vende-se na esquina
o corpo, a droga, a vida
O mundo se desfaz
Em meio a tantas coisas
Ignoramos do infinito
Ao vácuo quântico
Onde se surge do nada
Onde se perde a matemática
No vai e vem da existência
Definhando em inercia
Romântico, pós-moderno, vadia
Rótulos de palavras vazias
De origem esquisita
De fim certeiro
Na igreja ou mesquita
Há quem queira dinheiro
Há quem queira vida eterna
Há quem queira ser verdadeiro
Vivemos muito além da borboleta
Somos grão de areia em HD140283
Como vocês se veem?
Infinitos ou ínfimos?
Como é ser pó que perambula
Ignorando amarguras
Não vendo a boca de fome
Seca de sede
Tapando os ouvidos para o grito
Vindo da boca de fumo
Seca de sentido
Na vastidão de tudo
O que importa é o umbigo
Uma erupção fria de tristeza
Em ebulição o vulcão da indiferença
Isso matará o planeta.
(Imagem: Maurits Cornelis Escher)
