sexta-feira, 23 de outubro de 2015

#50 Já que não sei quem sou, aprenderei a amar


Eu nunca soube que tipo de pessoa sou
Talvez por ser várias em uma única
De todas as que sou não sei se existe a melhor
Todas me parecem fracassadas
Mas dentre elas sei bem qual a pior
Aquela a qual estava vestindo quando te vi
Lembro da primeira vez, atravessou-me
Um turbilhão de alguma coisa
Alguma coisa cujo não conhecia
Ainda desconheço
Não importa qual dia seja
Com qual pessoa esteja
Sempre que lhe vejo
A pior das minhas personalidades corre
Empurra quem quer que me vista.
Só pra poder te olhar de perto
E de novo, como a primeira vez
Um redemoinho invade meu coração


Maldita seja por toda vida essa parte de mim que é apaixonada por ti.

(Imagem: La Délicatesse des Mains por Edward Zulawski)
www.facebook.com/edward.photography
www.flickr.com/photos/edwardzulawski/

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

#49 Constante inconstância


Quente e frio
Feliz e triste
Que seja assim
Melhor que sempre morno
Sempre mais ou menos
Em um limbo de sentimento
Onde não se sente nada de verdade
Me perdoem os medíocres
Mas eu vos desprezo
Ou não perdoem
Que se foda
Não quero ser assim
Ordinário
Quero que  a vida me bata
Quero sentir toda dor que se há para sentir
Quero viver de verdade
E quando feliz estiver
Quero que me transborde
Que seja infinita
Não uma alegriazinha
Quero mergulhar no poço da intensidade
Pois no fundo do poço está o caos
Do caos sairá a minha ordem
Criarei meus próprios Deuses
Que regerão seus mundos
Quando nesses mundos
Habitarem seres medíocres
Quero que a vida os destrua
Me arraste para o poço
Novamente mergulharei
Tendo apenas o caos
Novos Deuses surgirão e desaparecerão
De meus novos mundos guardarei os iguais a mim
Os melhores que eu
Entre minhas idas e vindas
No frio, no solitário
No escuro, no caos
No poço
Estarão apenas em mim os com os quais aprendi
Aprendi a aprender
Aprendi que quanto mais melhor
Se for dor, que seja
Mas que seja  a maior e mais lancinante
Que rasgue as vísceras da carne e da alma
Se for tristeza, que seja
Mas que seja a maior e mais mórbida
Que encharque travesseiros, inche meus olhos
E afogue minha alma
Se for frio, que seja
Mas que seja o mais rigoroso inverno
Que congele os meus membros e deixe-me paralisado
Se for escuridão, que seja
Mas que seja o breu mais intenso e taciturno
Que eu não possa ver a luz no fim do túnel
De tudo eu serei restaurado
Como sempre fui e sempre serei
Pois o Sol há de iluminar-me
Como ilumina a tudo e todos
O Sol dará cores ao meu redor
Eu me alegrarei
Sentirei o calor
Sorrirei quando ver meu amor
Mas mesmo que não o veja, amarei
Amarei a tudo que segue seu rumo
Indo em direção ao fim do mundo
Amarei tudo que é intenso
Tudo que é imenso agora
Pois amanhã é apenas esperança
Abandonei a esperança
Sem esperança, sem medo
Eu sou aqui e agora
Minha atitude me constrói
E minha atitude é amar
Amar tudo, aqui e agora
Onde minha alma transborda
Transborda até ao poço retornar
Esse é o fardo de uma vida
Não se pode escapar.

(Imagem: Tunning man por Ekundayo)
ekundayo.com


sábado, 10 de outubro de 2015

#48 Se encontrar


Esperava com seus pequenos olhos o alvorecer
Sentada no parapeito, queria ver o sol nascer
Lembrou de uma frase dita por um amigo
Sempre é mais escuro antes de amanhecer
Do alto do prédio sentia o vento correr
Entre seus cabelos entrelaçava-se e ia
Só pensava na saudade
"onde está você?"
Os primeiros raios de Sol a aparecer
Entregou-se, sentindo o calor em sua pele fria
Nada era, nada seria
Alguns poucos segundos de vida
Uma lágrima tocou seu discreto sorriso
Nada mais havia.

(Imagem: Lucinda Grange)
www.lucindagrange.com