sábado, 21 de fevereiro de 2015

#38 De tanta filosofia não precisei me matar.


Morrendo, Morrendo
Como todos, como tudo
Um segundo a mais
Um segundo a menos
O relógio caminha para trás?
Fico prostrado 
Faço uma oração
Orientai-me, mas não.
O tempo abstrato passa
Meu corpo se desfaz
Perde o ritmo da vida
Segue o compasso da morte
Como a natureza guia
Tic Toc
Morri Morro 
Me parece soar
Penso em adiantar
Quero que seja meia noite
Estou cansado
Essa rotina me exaure
Do primeiro choro até sempre
É sacrifício ficar vivo
O mundo quer que morra
Depois de se reproduzir
Para propagar a genética
Você é só lixo
Matéria orgânica
A se decompor 
Para que tudo se equilibre
Não serei eu a desafiar
A Ordem Natural
Quem sou eu para pregar
A Nova Ordem Mundial
Além do mais 
Sabendo de minha finitude 
Por meros momentos
Anseio que logo chegue
Que me abrace e me acalme 
Jamais seria louco
Ao ponto de sonhar
Com a tal imortalidade

Olhá só 11:59
Melhor ir me deitar
Já está tarde
Não tenho mais idade.

(Imagem: The Kid)
www.thekid.fr/

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