“A vida continua.”
“A vida segue
E você deve ir com ela”
“Você deve continuar.”
Eu devo continuar?
Como posso continuar?
Nem ao menos sou eu ainda
Nem ao menos a alegria está em minha companhia
Pelo caminho vão ficando pedaços de mim
Pedaços que eu precisava para continuar
Pedaços que eu ainda preciso
E agora estão lá, perdidos ao caminho
E eu devo continuar por quê?
Continuar caminhando incompleto
Eu devo continuar caminhando
Mesmo que eu não seja eu sem eles
Continuar me despedindo de mim mesmo pelo caminho
Por quê? Me responda, já que insiste que devo ainda assim caminhar
Sem olhar para trás e ver os que são você
Os que foram você
E agora somem no horizonte
Despedaçado eu obedeço
Imbecilmente sigo em frente
Caminho
Sei meu próprio fim
Já o vi várias vezes
Vivi para ver minha própria morte
Vivi para ver os corações que eu amava pararem
Vivi para ver sorrisos que eu sinto saudade
Se transformarem em dor e sofrimento
Vivi para ver as flores murcharem e a hipocrisia florescer
Vivi e ainda vivo
Será que vivo?
Será isto então o sentido da vida?
Morrer antes, mil vezes
Até que se morra de verdade
Estamos de novo ao redor de um pedaço de carne
Mas quem está aqui afinal?
Quem morre e quem vive
Qual nossa diferença?
Suponho que só as lágrimas
E alguns passos a mais.
(Imagem: Prometheus de Elsie Russell)
www.parnasse.com/olderlist.htm

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