Às margens de mim não me reconheço
Águas correndo em circulo
Turvas como uma mente em entropia
Não me vejo
Jamais seria seduzido como Narciso
Mas Eco tampouco me chamaria atenção
O que vejo não é bonito nem mesmo feio
Olhando há algum tempo
É como se a corrente sequer se movesse
Tudo igual, apesar da mudança
Um bloco frio de mármore liquido
A um passo de petrificar-se
É doloroso procurar pela vida em algo morto
Me afogaria se não fosse tão raso
É doloroso procurar pela morte em meio a covardia
Às margens de mim não me encontro.
(Imagem: Julio Reyes)
www.julioreyes.com

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