segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

#66 Qual a graça de viver?


Não é estranho como o infinito parece real
A existência cotidiana parece não ter fim
Viveremos para sempre
Sem questionar: bom ou ruim
Mas a morte bate na porta de tempos em tempos
Nossa finitude vem à tona
Armada até os dentes
Rasgando a alma
Parece que nada vale a pena
Nossa existência sem fim
Torna-se pequena
Lembra que somos apenas pó
Ao pó voltaremos
Com o máximo de sorte
Nossos átomos
Que já foram de muitos outros
Se tornarão parte de uma rosa
Farão parte de um presente apaixonado
Porém, todo esse romantismo
 Não importa realmente
Estaremos mortos, não veremos
Só que qual a graça de viver
Sem brincar de ser infinito
Em meio a minha melancolia
Provavelmente morreria
Com meu corpo feito de partículas
Mas alma vazia
Que graça teria petrificar-se
Neste mundo líquido

(Imagem: Emil Alzamora)
www.emilalzamora.com

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